quarta-feira, 25 de abril de 2012

Histórias do 25 de Abril

(e pronto, este será mais um post nesta grande blogosfera, a falar sobre o 25 de abril)

Pois, que hoje comemora-se o 38ºano após o 25 de Abril e bendito dia. Não vou tecer grandes palavras, apenas dar um bem haja à liberdade e à democracia. Tenho pena é que alguns ministros que tenham passado pelo poder pouco fizeram pelo país. Muitos deles estiveram na política para se servirem do país, saindo de lá ricos. Eles cortam em tudo o que querem, mas eles não abdicam de comer nos melhores restaurantes, vários e luxuosos carros oficiais, viagens pagas, reformas antecipadas, e por aí podia continuar, mas não vale a pena. Como diz o José Hermano Saraiva (que foi Ministro no tempo de Salazar) "A política é a única profissão onde se consegue chegar ao topo da carreira sem perceber nada de coisa nenhuma” – e é bem quase verdade, na minha opinião.
Vou-vos contar uma história, história da altura do 25 de Abril. O meu avô era contra o regime salazarista e sempre lhe correu muito sangue nas veias e se à coisa que não lhe faltava era papas na língua. O que ele não achava certo, ele dizia, dava sempre a opinião dele. Ora naquela altura, qualquer pessoa que fosse contra o regime autoritário de Salazar, sabeis bem o que lhes acontecia, era perseguido até ser apanhado, condenado e muitas vezes nem se sabe ao certo o que faziam com a pessooa. O meu avô teve que andar fugido, bem como a minha avó, tios e o meu pai, pois chegou a ser procurado pela Pide. Ora na altura, antes do 25 de abril, era obrigatória a tropa que ainda foi obrigatória até à poucos anos atrás, mas eu refiro-me sim na época em que os tropas eram obrigados a ir para a guerra do Ultramar, na altura em que os rebeldes lutavam pela independência dos seus países e como as colónias pertenciam a Portugal tinha de se as defender. Como sabemos, estas guerras mataram muitos soldados e dos que iam para as guerras coloniais, dificilmente regressavam ou poucos eram os que sobreviviam. A minha avó sempre teve fé, e felizmente os meus tios e o meu pai nunca foram porque entretanto deu-se então o abençoado 25 de abril e consequentemente começou a conceder-se independência às colónias e como tal pôs-se fim à guerra colonial.
Histórias contadas pela minha avó e bisavó que eu nunca me esqueço, tempos difíceis! Já a minha bisavó dizia "Eu passei fome, peste e guerra!" Ela passou pelas duas guerras mundiais. Tempos que eram bem piores que os de hoje, por isso ela dizia que não estavamos nada em crise, isto no ano de 2008, altura em que a crise se começou a pressentir.

4 comentários:

Joana disse...

O meu avô também contava muitas dessas histórias :) Todos os meus tios-avôs (eram seis) foram para o Ultramar (menos o meu avô, porque era doente) e voltaram todos, mas alguns nunca mais foram como eram... Enfim, ainda bem que essas coisas já não acontecem :)

Beijinhos :)

Maria Maria disse...

A crise que vem aí agora é um retroceder aos tempos de antes... eu lembro-me de haver muitas famílias sem carro e muitas com apenas um carro por família. Lembro-me de romarias para a paria ao Sábado que férias não se faziam. Lembro-me de quando os animais de estimação comiam as sobras das refeições dos donos. Lembro-me de quando se comia carne só ao fim de semana. Lembro-me de quando menos de metade das crianças continuavam a estudar depois da escola primária e começavam a trabalhar aos 14 anos.
Lembro-me de quando os Doutores e os Engenheiros se contavam pelos dedos de uma só mão. Lembro-me de quando a maioria das pessoas trabalhavam na agricultura e do orgulho que tinham quando conseguiam mandar os filhos continuar com os estudos.
Enfim... os meus meninos estão no 5º e no 6º anos, são alunos de nível 5 e o meu receio é de quando chegar a altura de irem para a Universidade, se se mantiverem com estas notas e eu não ter meios que lhes permitam seguir.
Ter filhos com idades aproximadas é lindo. Mas no que diz respeito a despesas própria da idade... é tudo em cima uma coisa da outra.

Miss I. disse...

Gostava de ouvir estas histórias, interessava-me muito pelo passado, principalmente daquelas histórias das guerras mundiais. Mas infelizmente, essas pessoas já não estao entre nós :(
Voltaram? São daqueles raros casos que voltam! A minha avó conhecia homens que foram e nunca regressavam ou sabiam depois que tinham morrido.
Mas ainda bem que atualmente já não há nada disto, devia ser um terror. Ainda para mais eram obrigados a ir, nem sequer podiam opinar se queriam ou não ir!

Beijinhos

Miss I. disse...

Sim, é verdade que é um retroceder nos tempos. Mas digamos que na altura era bem pior. Se bem que deve haver casos por aí muito, muito desesperantes em que simplesmente não têm mesmo nada para comer. Isso aflige-me tanto. Às vezes ponho-me a pensar: uma pessoa compra tanta coisa, roupa, coisinhas dessas, põe-se a pensar qual será a próxima aquisição, quando há pessoas a passar fome. Fico mesmo, mesmo triste. E quem está numa situação dessas, ui, nem imagino o desespero.
Pois, agora é só drs (muitos drs da treta) e muitos só por terem o canudo já se acham os melhores. Ainda bem que têm essas excelentes notas, parabéns para eles. Pois realmente tê-los com idades tão próximas, na altura da universidade vai ser muita despesa, mas pode ser que nessa época seja altura de "vacas gordas". Eu acho que isto não vai estar sempre assim!

Beijinhos